Você já ficou sabendo que um concorrente do mesmo setor, com faturamento parecido com o seu, paga bem menos imposto? Isso é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não tem nada a ver com sonegação ou irregularidade. A diferença de impostos entre empresas aparentemente iguais é resultado de escolhas de gestão, regime tributário e organização interna.
Neste artigo, você vai entender quais são esses fatores e o que pode ser feito para não pagar mais do que o necessário. Vale a leitura.
O regime tributário faz toda a diferença
No Brasil, uma empresa pode se enquadrar em três regimes tributários principais: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Cada um tem regras e alíquotas distintas, e a escolha certa depende do perfil de cada negócio.
O problema é que muitos empresários definem o regime no início do negócio e nunca mais revisam essa decisão. O negócio cresce, muda de perfil, aumenta os custos ou altera a margem de lucro, e o regime continua o mesmo de anos atrás.
- Uma empresa com custos operacionais altos pode pagar menos imposto no Lucro Real, que considera o lucro de fato
- Uma empresa com margem de lucro elevada pode se beneficiar do Lucro Presumido, que usa uma estimativa de lucro
- Negócios menores costumam ter vantagem no Simples Nacional, mas isso nem sempre é verdade dependendo do setor
Trocar de regime sem análise pode custar caro. Mas manter o regime errado por inércia também.
Mesmo faturamento não significa mesmo imposto
Duas empresas podem faturar R$ 500 mil por ano e pagar valores de imposto completamente diferentes. Como isso é possível?
A resposta está na margem de lucro. Faturamento é o total que entra. Lucro é o que sobra depois de pagar fornecedores, funcionários, aluguel e todas as despesas. Duas empresas com o mesmo faturamento podem ter margens totalmente diferentes.
No regime de Lucro Real, o imposto incide sobre o lucro real apurado. No Lucro Presumido, o fisco aplica uma porcentagem estimada de lucro sobre o faturamento, independentemente de quanto a empresa realmente lucrou. Uma empresa com margens baixas pode acabar pagando imposto sobre um lucro que não teve.
Exemplo prático de como os impostos diferentes aparecem
Imagine duas padarias com faturamento mensal de R$ 80 mil. A primeira tem custos altos de insumos e folha de pagamento, sobrando pouco no final do mês. A segunda tem processos mais enxutos e margem maior. No Lucro Presumido, ambas pagariam imposto calculado da mesma forma. Mas no Lucro Real, cada uma pagaria de acordo com o que realmente lucrou. Para a primeira, o Lucro Real pode ser mais vantajoso.
A classificação fiscal do negócio impacta diretamente os impostos
Um detalhe que muitos empresários desconhecem: a forma como o negócio é classificado no cadastro fiscal pode mudar bastante o valor do imposto.
Isso envolve três elementos principais:
- CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas): código que identifica o que a empresa faz
- NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): código que classifica os produtos comercializados
- Tipo de serviço prestado: alguns serviços têm alíquotas menores ou maiores dependendo da classificação
Um erro nesses campos pode fazer a empresa pagar mais imposto do que deveria, ou ainda gerar problemas em fiscalizações futuras. Às vezes, a empresa também perde o direito de aproveitar créditos de impostos que teria direito, simplesmente por uma classificação incorreta.
Benefícios fiscais: muitas empresas têm direito e não sabem
Outra razão pela qual empresas parecidas pagam valores diferentes de imposto: o uso, ou a falta de uso, de benefícios fiscais.
Existem incentivos criados por lei federal, estadual e municipal que permitem reduzir legalmente a carga tributária. Alguns exemplos comuns:
- Isenções de ICMS para determinados produtos ou operações
- Reduções de ISS dependendo do município e do tipo de serviço
- Regimes especiais para empresas de determinados setores ou regiões
- Créditos de impostos que podem ser aproveitados dentro do regime de Lucro Real
Muitas empresas simplesmente não sabem que têm direito a esses benefícios. Outras sabem, mas não têm a documentação necessária para aproveitá-los. O resultado é pagar mais do que seria necessário.
A forma de operar muda o imposto
Dois negócios do mesmo setor podem ter operações muito diferentes, e cada detalhe operacional pode impactar a tributação:
- Vender para pessoa física ou para pessoa jurídica
- Atuar em mais de um estado
- Trabalhar com produtos sujeitos à substituição tributária (quando o imposto é recolhido antecipadamente na cadeia de fornecimento)
- Exportar ou não exportar
- Prestar serviço presencial ou à distância
Cada um desses fatores pode alterar a alíquota aplicada, as obrigações acessórias e até o regime mais adequado para o negócio. Por isso, não existe uma fórmula única que sirva para todas as empresas do mesmo nicho.
Falta de revisão tributária é o problema mais comum
Muitas empresas pagam imposto “no automático”. O contador emite o boleto, o empresário paga, e ninguém para para perguntar: será que estamos pagando certo? Será que existe uma forma legal de pagar menos?
A revisão tributária é justamente esse processo de olhar para o histórico fiscal do negócio e identificar oportunidades. Estudos indicam que, em aproximadamente 40% das empresas analisadas, existem valores pagos a mais que poderiam ser recuperados ou compensados.
Isso não é ilegalidade. É planejamento tributário, uma prática legal e recomendada por qualquer bom contador ou consultor fiscal.
Por que a tecnologia ajuda tanto nesse processo
Quanto maior e mais organizado o controle financeiro da empresa, mais fácil é identificar esses pontos de melhoria. Um sistema que centraliza faturamento, despesas, emissão de notas e controle de estoque entrega ao contador as informações necessárias para uma análise tributária mais precisa.
Sem organização financeira, fica impossível saber com clareza o lucro real da empresa, e sem esse dado, qualquer análise de regime tributário fica comprometida.
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