A Reforma Tributária chegou com mudanças que afetam diretamente quem tem empresa no Simples Nacional. Uma das mais urgentes é a decisão sobre o chamado regime híbrido, que precisa ser tomada até setembro de 2026 para valer já em 2027. Parece longe, mas não é: essa escolha pode impactar o caixa, os preços que você cobra e até a sua competitividade no mercado. Se você ainda não ouviu falar nesse tema, vale a leitura.
O que é o regime híbrido do Simples Nacional?
Para entender o regime híbrido, é preciso saber que a Reforma Tributária está criando dois novos tributos: o CBS (que substitui o PIS e a Cofins, contribuições federais sobre faturamento) e o IBS (que substitui o ICMS estadual e o ISS municipal). Juntos, eles vão mudar a forma como os impostos são cobrados no Brasil.
Hoje, quem está no Simples Nacional paga tudo num boleto único chamado DAS. Com a reforma, será possível escolher entre duas formas de recolher os novos tributos:
- Permanecer 100% no Simples: o CBS e o IBS continuam incluídos no DAS, junto com os demais impostos.
- Adotar o regime híbrido: o CBS e o IBS passam a ser pagos separadamente, fora do DAS, seguindo as mesmas regras das empresas que não estão no Simples.
No regime híbrido, os outros tributos, como o imposto de renda da empresa (IRPJ) e as contribuições sobre a folha de pagamento (CSLL e CPP), continuam sendo pagos normalmente pelo DAS.
Por que alguém escolheria pagar imposto “por fora”?
À primeira vista, parece estranho querer sair do Simples para pagar impostos separados. Mas há uma razão estratégica importante: o aproveitamento de créditos fiscais.
Quando uma empresa paga o CBS e o IBS pelo regime regular (fora do Simples), ela passa a ter direito de se creditar dos impostos que pagou nas suas compras. Ou seja: se você comprou R$ 10.000 em mercadorias e pagou CBS e IBS nessa compra, pode abater esse valor do imposto que vai pagar sobre as suas vendas.
Além disso, você também pode transferir esses créditos para o seu comprador. Isso é muito relevante quando seus clientes são outras empresas, porque eles vão preferir fornecedores que consigam repassar crédito fiscal. Em negociações entre empresas, quem oferece crédito pode ter preços mais competitivos ou simplesmente ser a escolha preferida.
Regime híbrido do Simples Nacional: como isso afeta o seu negócio na prática?
Imagine um fornecedor de embalagens que vende para supermercados. Se ele adotar o regime híbrido, consegue transferir créditos de CBS e IBS para os supermercados que compram dele. Esses supermercados, por sua vez, preferem comprar de quem oferece crédito, porque isso reduz o imposto que eles pagam.
O resultado: fornecedores no regime híbrido podem ganhar vantagem competitiva em vendas para outras empresas.
Por outro lado, se a maior parte dos seus clientes são pessoas físicas, como consumidores finais de uma loja ou restaurante, o crédito fiscal não muda nada para eles. Nesse caso, os custos extras de administrar os impostos separadamente podem não valer a pena.
Qual é o prazo para tomar essa decisão?
Aqui está o ponto mais urgente: para que a opção pelo regime híbrido valha a partir de janeiro de 2027, a empresa precisa fazer a escolha até setembro de 2026. Mesmo que você já tenha renovado a opção pelo Simples Nacional em janeiro de 2026, essa decisão é separada e precisa ser feita dentro do prazo.
Depois disso, a escolha é feita por semestre:
- Até setembro: opção válida para janeiro a junho do ano seguinte.
- Até março: opção válida para julho a dezembro do mesmo ano.
A forma exata de fazer a opção ainda depende de regulamentação do governo, mas o prazo já está definido em lei. Por isso, é essencial começar a análise agora, antes de chegar na véspera.
Como saber se o regime híbrido é vantajoso para a sua empresa?
Essa não é uma resposta única para todos os negócios. Depende do seu setor, do perfil dos seus clientes, das suas margens e de quanto você paga de impostos nas suas compras. Antes de decidir, vale considerar algumas perguntas:
- Seus principais clientes são outras empresas ou pessoas físicas?
- Você compra muita mercadoria ou matéria-prima com CBS e IBS embutidos?
- Sua margem de lucro é sensível a variações de custo?
- Você tem estrutura ou contador disponível para administrar dois regimes ao mesmo tempo?
Uma análise bem feita pode mostrar que o regime híbrido vai reduzir sua carga tributária de forma expressiva. Mas também pode indicar que ficar 100% no Simples é mais simples e mais barato, dependendo do caso.
O papel da tecnologia em decisões como essa
Mudanças tributárias da magnitude da Reforma Tributária exigem que a empresa tenha clareza sobre seus números: quanto compra, quanto vende, quais impostos paga, qual é a margem real de cada produto ou serviço. Sem essas informações organizadas, é impossível tomar a decisão certa sobre o regime híbrido.
Sistemas de gestão modernos ajudam exatamente nisso: organizam as informações financeiras do negócio, facilitam o trabalho do contador e permitem que o empresário tome decisões com base em dados reais, não em achismos.
Não deixe para a última hora
O prazo de setembro de 2026 pode parecer distante, mas a preparação para essa decisão começa agora. Quem deixa para a véspera corre o risco de escolher sem ter as informações necessárias, e uma escolha errada pode custar caro durante seis meses ou mais.
Converse com seu contador o quanto antes. E se você sentir que sua empresa precisa de uma estrutura melhor para acompanhar essas mudanças, a Appelsoft tem 35 anos de experiência ajudando pequenas e médias empresas a se adaptar com tecnologia que funciona na prática. Fale com um de nossos consultores pelo WhatsApp e descubra como podemos te ajudar a chegar preparado para 2027.